Tinha vontade de conhecer Zé Limeira, o poeta do absurdo, nada de achar o livro fora de catálogo, um amigo chegou a me dar um de presente de aniversário um livro do Patativa. Demorou até achar um sebo de Recife. Hoje com a internet esmaeceram as dificuldades, mas... Eis a razão de mais este blog. A disponibilização de livros, em especial da historiografia do alto sertão paraibano e mais ainda da microrregião de Cajazeiras. Espero colaborações, enviar pelo e-mail claudiomar.rolim@uol.com.br
terça-feira, 26 de maio de 2015
quarta-feira, 22 de abril de 2015
Ditadura Spínola
Causa perdida, o Serviço foi achar em Portugal. Na noite de 17 de
junho de 1975 cinco senhores reuniram-se no Rio de Janeiro. Quatro
eram oficiais da Agência do SNI.36 O quinto era o general Antônio de
Spínola, o legendário líder da Revolução Portuguesa de abril de 1974.
Encantara o mundo ao precipitar a queda da ditadura salazarista com
um livro, capa e monóculo. Eleito presidente da República, vira-se
emparedado pela radicalização esquerdista do movimento que
simbolizara. Tivera as convicções neocolonialistas atropeladas pelo
desmoronamento do império d’além-mar. Por conservador, não
conseguia manobrar a desordem. Encurralado pelo poder paralegal do
Movimento das Forças Armadas, não conseguia manter a ordem. Como
seu monóculo, passara de romântico a anacrônico, e renunciara em
setembro, cinco meses depois de empossado.
Uma ironia da história portuguesa levara Spínola a se hospedar
num hotel de Copacabana pouco antes do primeiro aniversário do golpe
que trouxera para o Rio (e para Copacabana) o presidente Américo
Thomaz e o primeiro-ministro Marcello Caetano. Outra, da história do
regime brasileiro, o trouxera como asilado, precisamente numa época
em que Geisel reclamava da generosidade do governo de Lisboa para
com a diáspora nacional, que restabelecia em Portugal, em ponto
menor, a base perdida no Chile. Chegara a pensar em denunciar o
tratado que permitia o movimento dos cidadãos entre os dois países. Por maior que tenha sido o apoio dado pelos esquerdistas
portugueses aos exilados brasileiros, não se compara em audácia,
ilegalidade e subversão à conversa que Spínola teve com os cinco
interlocutores do SNI.
O general expôs seus temores: o Ocidente não evoluíra o bastante
para conter o Movimento Comunista Internacional, e era possível que os
Estados Unidos tivessem concebido uma estratégia em que seu país
seria sacrificado “para servir de vacina e anticorpos para o mundo
ocidental”. Dito isso, informava que pusera em andamento um plano de
invasão de Portugal. O ataque seria desfechado em até seis meses, a
partir da Espanha. Contava com uma tropa de 5 mil combatentes
recrutados na Rodésia, na África do Sul e no Zaire. Esperava receber
armamento americano e não precisava de dinheiro. Pedia ao SNI que lhe
conseguisse liberdade de movimento para viajar pelo mundo e uma
“área de treinamento” onde pudesse alojar Seiscentos homens, por três
meses. Seriam portugueses do Continente e de Angola, e outros já
exilados no Brasil.
Geisel leu um relatório da conversa e fulminou-a: “Não podemos e
nem devemos nos engajar!”.
Em tese, era o suficiente para que as conversas se encerrassem.
Decisão semelhante fora tomada pelo embaixador dos Estados Unidos
em Lisboa, Frank Carlucci. Ele não dava crédito a Spínola e chegara a
captar ecos de seus projetos. Solicitara a todos os setores da
administração americana, dos serviços comerciais às missões militares,
que evitassem qualquer contato com o general.41 A determinação de
Geisel foi contornada. Duas semanas depois do encontro do Rio,
Spínola esteve em Brasília e reuniu-se com o chefe da Agência Central
do Serviço.
Spínola e os coronéis do SNI comprometeram-se a manter suas
tratativas em segredo, mas, no dia 22 de julho, Helio Fernandes, na
Tribuna da Imprensa, informou que o general acabara de regressar de
um giro pela Europa. Viajara de óculos escuros, sem passar pelos
balcões das companhias aéreas. A Tribuna estava nas bancas quando
Spínola voltou ao SNI. Narrou o sucesso de sua viagem e mudou a lista
de pedidos. Já não queria um campo de treinamento, pois dizia tê-lo
conseguido no Paraguai. A tropa precisaria apenas de algum apoio
logístico, material de acampamento, comida e fardas. Se o governo
brasileiro quisesse, poderia lhe vender armas, devidamente
descaracterizadas. Pedia ainda uma base de transmissões clandestinas
e um passaporte falso.
Ao processar as informações desse segundo encontro, o general
Castro afastou-se da narrativa quase seca que a Agência do Rio
remetera a Brasília em junho. Não se tratava mais de um relatório. Era
uma Informação destinada a Figueiredo e intitulada Apoio ao General
Spínola para Reação em Portugal. Descrevia uma gestão. O SNI buscara
informações com seus contatos americanos, paraguaios e alemães.
Fontes do Departamento de Estado contaram que o general os
procurara. A CIA não disse uma palavra. Os paraguaios confirmaram a
possibilidade de ceder a área de treinamento, mas não estavam
convencidos de que Spínola tivesse cacife para tamanha iniciativa. Os
alemães mostraram-se interessados em alterar os rumos da crise
portuguesa, com a condição de que pudessem fazê-lo sem deixar as
impressões digitais. Também duvidavam da liderança do general.
Estavam dispostos a conversar, desde que “houvesse uma decisão por
parte do Brasil de apoiar veladamente a Spínola”. Se necessário,
mandariam um funcionário, com identidade falsa, para falar com o SNI.
Castro encorpou seu serviço relatando dois outros contatos. O
primeiro, com um coronel que se asilara junto com Spínola e acabara de
passar alguns dias, como clandestino, em Portugal. Ele contava que a
CIA aceitara fornecer granadas de mão, explosivos, espoletas e
detonadores aos expedicionários. O segundo contato, com um
português exilado no Brasil e um ex-hierarca da polícia secreta
salazarista decididos a entrar em Portugal com cinqüenta homens, para
“apoiar os grupos que têm reagido contra o atual Governo”. Precisavam
de armas leves.
O SNI conversava com duas organizações irmãs, porém diversas. Spínola e sua força expedicionária encarnavam o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal. O ex-policial estava mais próximo do Exército de Libertação de Portugal, organização chefiada pelo ex-subchefe da PIDE. Entre maio e agosto a radicalização portuguesa foi exacerbada por um surto terrorista que produziu explosões e vinte incêndios. O ELP tinha bases nas colônias desalazaristas do Brasil, dos Estados Unidos, da Venezuela e da Espanha.
Jogo pesado, movido pela obstinação do general Castro. Ele levara dez dias refinando as informações que obtivera de Spínola. Quando as encaminhou a Figueiredo, seu chefe informou-o de que só Geisel poderia dizer o que fazer. O presidente registrou as instruções pessoais que deu ao chefe da Agência Central do SNI: “O Brasil não pode envolver-se”. Ainda assim, devia-se ouvir o enviado do serviço de inteligência alemão, que estava a caminho do Brasil para discutir a questão portuguesa. O agente chegou no dia 10 de agosto. Aceitava ajudar, mas não queria que seu país fosse envolvido na confusão. Basicamente, queria trocar figurinhas, pois duvidava que a oposição dispusesse de um líder. Informou que um dos oficiais de Spínola, instalado em Salamanca, na Espanha, tinha entre 1200 e 1500 homens. Julgava possível uma invasão maciça, a partir da Espanha, mas sabia que os conspiradores preferiam agir infiltrando pequenos grupos de vinte ou 25 pessoas em Portugal. Oferecia dinheiro, armas e contatos.
Numa nova construção, o SNI admitiu que a ajuda brasileira poderia limitar-se a um campo de treinamento, próximo aos aeroportos do Galeão ou de Viracopos, onde os combatentes passariam alguns dias, até embarcar em vôos de empresas que chegassem à Espanha sem escalas em Havana ou Lisboa. Castro sugeriu a Geisel que o Itamaraty desse aos portugueses um pouco de dinheiro (de 10 mil a 15 mil dólares) e de armamento. Seriam 34 submetralhadoras calibre 45, dezesseis pistolas e dois fuzis automáticos com bocais lançadores de granadas. Esclarecia que era equipamento velho, descaracterizado, apreendido antes de 1973. (O arsenal de todas as organizações terroristas de esquerda nunca teve 34 metralhadoras, muito menos fuzis equipados para lançar granadas. É possível que essas armas tenham vindo do braço terrorista do CIE.)49 Sugeriu também que se usasse a rádio Jornal do Commercio, do Recife, para algumas transmissões clandestinas.
A documentação do episódio morreu aí. Os sonhos de Spínola e sua conexão com o radicalismo da colônia portuguesa no Brasil prosseguiram. O general deu uma entrevista a Carlos Lacerda, que vivia uma fase de assombro diante da esquerdização de Portugal, e nela produziu-se o seguinte trecho:
— Quando será o desembarque, meu general?
No seu rosto habitualmente triste, um sorriso se abre. É um segredo ou ainda não foi fixada uma data. Mas diz-me algo que me tranquiliza e que um dia toda a gente saberá.
O desembarque de Spínola tornara-se tão público quanto inútil. Quando a entrevista foi publicada no Brasil, a Revolução Portuguesa finara-se. A maioria profissional e moderada das forças armadas, disposta a conter a anarquia nos quartéis e o radicalismo esquerdista nas ruas, derrubara o governo do primeiro-ministro Vasco Gonçalves.
No início de 1976 Spínola fechou sua casa no Rio e foi para a França. Tentou entrar na Espanha, onde supunha ter uma base de operações. Foi expulso, devolvido à França e logo enxotado para Genebra. Em abril os suíços mandaram-no embora. Retornou ao Brasil sob o compromisso de aquietar-se. Era carta fora do baralho.
Em suas memórias, Geisel classificou a proposta de invasão de Portugal como “loucura” e “fantasia”, informando que os militares portugueses “foram francamente dissuadidos de qualquer ação dessa natureza”. É certo que o presidente não estimulou o SNI. É provável que tenha considerado fantasiosa a iniciativa, mas não há registro de ação dissuasória do governo brasileiro sobre os subversivos portugueses.
Spínola continuou circulando com os papéis falsos que pedira ao SNI. Em dezembro de 1976 um funcionário da embaixada da Suíça em Brasília deixou sobre a mesa do encarregado da Divisão da Europa do Ministério das Relações Exteriores um documento sem timbre nem assinatura. Era um sussurro documentado. Informava que o general estava em seu país, com dois passaportes. Num, era o cidadão brasileiro Antonio Ribeiro. No outro, era português, e registrava-se sua identidade completa: Antônio Sebastião Ribeiro de Spínola. Com educação e ironia, o governo suíço perguntava ao Itamaraty se a supressão do sobrenome paterno (Spínola) para a construção da identidade de Antonio Ribeiro estava de acordo com as leis do país. Lembravam que havia uma denúncia de que o general usava um passaporte com identidade falsa. Finalmente, indagavam por que o governo entregara ao general dois documentos, um de estrangeiro e outro de brasileiro, com informações insuficientes.
Como e por que o general embaralhou os documentos e as identidades, não se sabe. Também é difícil entender por que Spínola se fazia passar por Ribeiro, pois em agosto de 1976 estivera ostensivamente em Lisboa, sem ser molestado. A anarquia militar portuguesa, iniciada em 1974, fora substituída por um governo constitucional, com assento no Conselho da Europa.
O chanceler Azeredo da Silveira informou a Geisel que haveria de providenciar a discreta apreensão do passaporte turbinado.
O SNI, que dera a Spínola dois passaportes (um deles fraudulento), centralizava o confisco desse mesmo documento aos cidadãos brasileiros que desejava punir. As embaixadas e os consulados tinham um Fichário de Pessoas com Registro de Atividades Nocivas à Segurança Nacional. Quaisquer solicitações feitas por esses cidadãos deveriam ser comunicadas a Brasília.
O ex-presidente português tinha passaportes de sobra, enquanto a ditadura passara doze anos negando-o ao ex-presidente brasileiro João Goulart. Ele viajava com um passaporte de favor, dado pelo ditador paraguaio Alfredo Stroessner. Quando dois ex-parlamentares uruguaios que viviam exilados na Argentina foram sequestrados e mortos, Jango avisou ao governo brasileiro que temia por sua vida.
Enquanto a gestão tramitava em Brasília, apareceu outro cadáver em Buenos Aires. O ex-presidente boliviano general Juan José Torres foi achado embaixo de uma ponte, com os olhos vendados, um tiro na cabeça e dois no pescoço. Goulart recebeu o passaporte no dia 8 de junho, quatro dias depois da execução de Torres. Como ele fizera saberque pretendia visitar seu cardiologista, em Lyon, deram-lhe umacaderneta válida só para a França.
Ao mesmo tempo que o Serviço se metia em operações clandestinas com o general Spínola, o braço dissidente da Comunidade que operava debaixo de seu nariz procurava desmantelar iniciativas de Geisel com as quais não concordara. Fazia isso valendo-se dos métodos que o regime se habituara a utilizar. Na segunda semana de agosto de 1974 um coronel do SNI chegou ao Itamaraty para uma reunião. Seu propósito era colher uma prova de que o governo brasileiro oferecia concessões indevidas à delegação chinesa que negociava o reatamento de relações entre os dois países. Falhou.
quarta-feira, 1 de abril de 2015
domingo, 25 de janeiro de 2015
domingo, 28 de setembro de 2014
Duelo semântico: Chatô X D. Hélder Câmara
D. Hélder Câmara, arcebispo de Olinda e
Recife, visitou Francisco de Assis Chateaubriand, de quem era amigo mas de
cujas posições políticas, consideradas "esquerdizantes", sempre
discordara publicamente. dias antes do seu falecimento do Chateaubriand e à saída
do hospital, d. Hélder falou aos jornalistas em um tom que soava a
extrema-unção:
- De Chateaubriand se pode dizer o melhor
e o pior. Haverá quem diga horrores pensando nele, mas como não recordar as
campanhas memoráveis que ele empreendeu?Dentro do maquiavélico, do chantagista,
do cínico, o Pai saberá encontrar a criança, o poeta. Deus saberá julgá-lo.
Como se estivesse se vingando das
palavras do religioso, que nem chegara a ouvir, Chateaubriand publicaria no dia
seguinte um artigo curto e duro sobre ele, intitulado "A inquietação do
padre":
Vejo o arcebispo de Olinda e
Recife como a ovelha da madre Igreja que mais e mais se afasta de seu redil. Não está
cumprindo a missão de servo de Deus, ungido pelos princípios da eternidade espiritual de sua fé.
Açoitado pelas paixões humanas, precipita-se em fúria, sem pouso, sem paz, num apostolado
que seria o da Nova Igreja do Nordeste. D. Hélder se faz, sem ter a mesma envergadura de
pensamento, um Carlos Lacerda de saias.
sexta-feira, 19 de setembro de 2014
Chatô X Chateaubriand
Em menos de trinta linhas, a nota resumia um começo de incêndio que em pouco tempo iria se transformar em uma guerra de proporções nacionais contra o maior sucesso da imprensa brasileira dos últimos anos, o jornal Última Hora, de Samuel Wainer.
Segundo a notícia da Time, o jornal Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda, descobrira que a Última Hora tinha sido montada quase que integralmente com dinheiro fornecido pelo Banco do Brasil, que agora ameaçava cobrar a dívida.
A crise que merecera espaço na imprensa dos Estados Unidos começara numa madrugada dos primeiros dias de junho. Carlos Castelo Branco, que deixara o posto de chefe da seção de
política de O Jornal para ser editor-geral da Tribuna, chegara à redação para preparar a edição do dia seguinte do jornal. Em meio a um amontoado de reportagens e artigos que tinham sido
deixados de lado pelos editores, encontrou uma entrevista feita pelo repórter Natalício Norberto com o ex-deputado Herófilo Azambuja, na qual este afirmava que tinha sido nomeado pelo Banco do Brasil interventor na empresa Érica, editora da Última Hora. O entrevistado contava tambémque o banco financiara quase tudo na montagem do jornal de Samuel Wainer, da compra do prédio e das máquinas até as aquisições regulares de papel. Azambuja revelava que fora nomeado para iniciar um processo de cobrança do débito, que até então não tinha sido pago por Wainer.
Sem grande estardalhaço, como era de seu estilo, Castelo Branco recolheu a reportagem e mandou buscar a pasta de fotos de Samuel Wainer no arquivo. Escolheu uma fotografia em que o dono de Última Hora aparecia de blak-tie, sentado sobre uma mesa, com um copo de uísque na mão. Chamou o diagramador, mandou abrir a foto em metade da primeira página, sentou-se à máquina e datilografou a manchete principal:
"Esbanjavam dinheiro do Banco do Brasil". No interior do jornal, mandou publicar a íntegra da entrevista feita por Natalício Norberto. Foi até a mesa de Aluísio Alves, diretor de redação da Tribuna, e submeteu a ele a prova da primeira página. Alves se esquivou:
Recorreram a Medeiros Lima, diretor do jornal, que concordou
com Alves: era uma denúncia grave demais, baseada em uma reportagem de um
estreante e não deveria ser publicada. Castelo fincou pé:
[...] Nunca perdoei a revista Veja por chamar-me de "Cidadão Kane". O verdadeiro "Cidadão Kane" foi Assis Chateaubriand.
- Eu só não publico se a ordem vier do Lacerda. Vamos chamá-lo à redação.
Minutos depois o dono estava no jornal. Ouviu as opiniões
dos três, sentou-se, leu cuidadosamente a entrevista, viu a primeira página e
jogou-a sobre uma mesa, decidido:
- Castelo, rode o jornal com a entrevista do jeito que está.
O
país começava a pegar fogo. Última Hora tentou responder com uma edição extra, afirmando
que Azambuja tinha estado no jornal, Banco
do Brasil. Mas a tempestade já estava armada. Uma semana depois, o acuado
Samuel Wainer daria o troco a Lacerda.
Conseguiu tirar da Tribuna e contratar para trabalhar em seu
jornal o mesmo Natalício Norberto, que
emergiria em Última Hora não como jornalista, mas como entrevistado: em um
longo depoimento, o pivô do "escândalo" praticamente desmentiu o que
fora publicado pela Tribuna. Disse que a entrevista tinha sido feita por
telefone e que do outro lado da linha poderia estar "um interlocutor
desconhecido e não identificado"; que o título que ele fizera fora mudado
por Castelo Branco; que a redação do jornal tinha enxertado em seu trabalho
informações que não se lembrava de ter escrito. "Não quero continuar
encarando meus colegas com sentimento de vergonha ou inferioridade",
concluiu. Sua retratação iria parar na manchete de Última Hora do dia seguinte:
"Desmascarada pelo próprio repórter a Tribuna da Imprensa".
Quando Chateaubriand retornou ao
Brasil, Lacerda se debatia desesperadamente para ampliar a repercussão do filão
que descobrira. Além de seu próprio e modesto jornal, ele contava apenas com o
apoio de Roberto Marinho, que colocara us microfones da sua Rádio Globo à
disposição da campanha contra Wainer, e da voz de meia dúzia de deputados
udenistas na Câmara Federal, entre os quais se destacavam o cearense Armando
Falcão e o mineiro Bilac Pinto. O sucesso indiscutível de Última Hora vinha se
transformando de pequena dor de cabeça em uma ameaça
em potencial aos interesses do dono dos Associados. Um ano
depois de lançado no Rio, o jornal punha nas ruas de São Paulo, com igual impacto,
uma edição paulista financiada pelo conde Francisco Matarazzo Júnior, que, além
de dinheiro vivo, cedeu a Wainer o prédio sob o viaduto Santa Ifigênia para
onde tinha pretendido, nos anos 40, transferir a sede da Folha da Manhã. Além
de planejar instalar, ainda em 1953, uma estação de rádio, Wainer lançara no
Rio e em São Paulo, também com enorme aceitação popular, o semanário ilustrado
Flan. Para montar o começo do que sonhava transformar em uma grande rede, ele
levantara um total de 64 milhões de cruzeiros (1,6 milhão de dólares de então,
aproximadamente 8 milhões de dólares de 1994) - metade tomada como empréstimo
ao Banco do Brasil e a outra metade obtida com três grandes capitães de
empresas: o banqueiro Walther Moreira Salles e os industriais Ricardo Jafet
(que era também presidente do Banco do Brasil) e Euvaldo Lodi, presidente da
Confederação Nacional da Indústria. Para Chateaubriand, o objetivo a longo
prazo de toda aquela movimentação era um só: destruir os Diários Associados. A
devastação que a Última Hora produzia sobre o Diário da Noite do Rio era
visível por qualquer leigo - e ele sabia onde aquilo podia parar. Era preciso
matar no ovo a serpente chamada Samuel Wainer.
Sua primeira decisão nesse sentido foi destacar o melhor repórter da cadeia, David Nasser, para se juntar em tempo integral a Lacerda e a Armando Falcão (que lhe parecia o deputado mais interessado na destruição de Última Hora). Para Samuel Wainer, a escolha de Chateaubriand não podia ter sido pior. Além de Nasser ser um jornalista experiente, com um faro singular para a investigação de casos intrincados, o dono de Última Hora temia que ele tivesse um motivo a mais para destruí-lo: o ciúme. Afinal, fora Wainer, com a famosa entrevista com Getúlio, que o destronara do papel de principal repórter dos Associados. Depois de atribuir a David Nasser a tarefa de "reduzir a pó tanto Wainer como seu jornal infecto", Chateaubriand deu o golpe de misericórdia: suas duas estações de televisão, no Rio e em São Paulo, deveriam ser colocadas à disposição de Lacerda para que ele popularizasse a campanha contra Wainer.
Para Lacerda, Wainer e os empréstimos feitos pelo Banco do
Brasil à Última Hora eram apenas o pretexto de que precisava para atingir seu verdadeiro alvo, Getúlio Vargas. A Chateaubriand importava pouco que o governo tivesse ou não emprestado dinheiro a quem quer que fosse: o que ele não podia era permitir o crescimento incontrolável de um concorrente perigoso, cujos primeiros passos eram idênticos aos que ele dera nos anos 20 e 30. E Samuel Wainer, por sua vez, a avaliar pelo julgamento que fez Chateaubriand nas gravações que deixou para serem transformadas em livro depois de sua morte, parecia farejar quais os objetivos de um e de outro naquela guerra de que ele era a primeira vítima:
[...] Chateaubriand é que foi meu grande adversário, não Carlos Lacerda. Foi Chateaubriand quem trouxe a tv brasileira para o primeiro plano da influência política, ao abri-la para o Lacerda na campanha contra mim e a Última Hora. Lacerda foi um auxiliar acidental, que ficava na cena de frente.
[...] Quando acordava um velho banqueiro como o José Maria Whitaker, de São Paulo, e o levava até o inferno da Amazônia pa ra batizar um avião, no fundo o Chateaubriand estava se vingando. Ele estava provando à mais alta burguesia que era ele quem comandava o espetáculo. [...] Quando ele criou aquela Ordem do Jagunço, eu vi gente da mais alta responsabilidade se expor ao ridículo de botar um chapéu de cangaceiro e tirar uma foto só para sair na primeira página. Chateaubriand fez isso com Winston Churchill, o homem que salvou o mundo! [...] Nunca perdoei a revista Veja por chamar-me de "Cidadão Kane". O verdadeiro "Cidadão Kane" foi Assis Chateaubriand.
O que Samuel Wainer aparentemente não sabia, quando começou a fuzilaria contra a Última Hora, é que o pecado de que era acusado (tomar dinheiro do Banco do Brasil para montar ou sustentar meios de comunicação) era algo tão comum na maior parte da imprensa brasileira quanto imprimir e vender jornais. Enquanto a Última Hora era colocada no pelourinho por ter tomado 26 milhões de cruzeiros emprestados ao banco oficial, a Carteira de Crédito Geral do mesmo Banco do Brasil registrava um débito de 50,4 milhões de Roberto Marinho (proprietário do jornal O Globo e de uma estação de rádio), ao passo que os Diários Associados deviam ao Banco do Brasil a soma colossal de 113,6 milhões (quase 3 milhões de dólares da época, ou 14 milhões de dólares de 1994). Nem mesmo a imaculada Tribuna da Imprensa poderia exibir castidade naquele caso: mais modesto, até o jornal de Lacerda tinha pendurado no Banco do Brasil um "papagaio" de valor equivalente a 100 mil dólares da época.
Tratava-se, portanto, de um problema de escala, não de princípios. Lacerda passou por cima destes e, com acesso aos dois canais de televisão, avançou sobre Wainer. O dono da Tribuna nunca tinha usado a televisão em sua vida, mas em uma viagem que fizera aos Estados Unidos dois anos antes ficara fascinado com a capacidade de comunicação do programa de maior sucesso na televisão americana, o "Life is worth living", apresentado pelo bispo-auxiliar de Nova York, Fulton Sheen. Anticomunista ferrenho, o bispo Sheen magnetizava os telespectadores com sua pregação semanal na tevêe fazia isso valendo-se apenas de sua oratória, de um quadro-negro e de alguns gráficos desenhados em cartolinas. Apesar de nervoso e assustado com as luzes
refletores e com cãmeras que nunca havia enfrentado antes, Lacerda precisou de poucos dias para se tornar um sucesso de audiência tão grande que Chateaubriand deu ordens para que a
direção da Tupi aumentasse os cinco minutos diários iniciais que lhe tinham sido concedidos. Como o bispo Fulton Sheen, colocou um quadro-negro atrás da mesa em que se sentava e ainda inovou, deixando a seu lado um telefone à disposição dos telespectadores que quisessem fazer perguntas. Num dos primeiros dias da campanha no Rio (ele se revezava fazendo apresentações na capital do país e em São Paulo), um telespectador ligou querendo saber o que é que a população tinha a ver com aquela briga comercial entre jornais. Certamente lembrando se das apresentações do bispo Sheen, Lacerda contou em suas memórias que aproveitou aquela pergunta providencial para chegar aonde queria: em Getúlio Vargas:
Eu aí fui para o quadro-negro,
tracei assim um sol e uma porção de satélites. Lá embaixo eu fiz um satélite
pequenininho e escrevi Última Hora, e disse: "Estou aqui, daqui eu vou passar
aqui". O outro satélite era o Banco do Brasil. "Daqui vou passar para
aqui", e apontei para o sol e escrevi "Getúlio Vargas". Quer
dizer: graficamente os ouvintes tiveram a impressão de que aquilo tinha um
alcance muito maior do que pensavam no começo.
Diante da repercussão das aparições de
Lacerda, Chateaubriand aumentou para meia hora o tempo de suas apresentações e
mandou que aparelhos de televisão fossem instalados em pontos estratégicos do
Rio e de São Paulo para que também o homem da rua pudesse acompanhar o lento esquartejamento
da Última Hora e de seu dono. Mas o pior ainda estava por vir. No dia 12 de julho
de 1953, os mais importantes jornais de Chateaubriand publicavam uma mesma
manchete, fruto de uma pista que Da vid Nasser, com a ajuda de Armando Falcão e
Carlos Lacerda, vinha perseguindo fazia vários dias: "Wainer não nasceu no
Brasil". Nasser conseguira pescar nos arquivos do Ministério da Educação
um documento do Colégio Pedro II, do Rio, onde Wainer estudara. No tal papel o
irmão mais velho deste, Artur, revelava que o jornalista havia nascido em
Edenitz, uma aldeia da Bessarábia - parte da Transilvânia transformada em
território daUnião Soviética depois da Segunda Guerra Mundial. Em seu livro
póstumo Minha razão de viver, Wainer descreve o abalo que a notícia produziu:
[...] Compreendi de imediato que
a manobra teria um impacto fortíssimo. Primeiro porque eu sempre estivera na vanguarda
das campanhas nacionalistas – o nacionalismo talvez fosse a principal bandeira
da Última Hora, e ficaria difícil sustentar talpostura na condição de
estrangeiro. Depois porque a denúncia suscitaria uma complicada questão legal,
já que, segundo a Constituição, tanto estrangeiros quanto brasileiros naturalizados
não podem ser donos de jornal. Pressenti que a denúncia poderia semear o pânico
na redação: e se me tomassem a ÚltimaHora?, certamente se perguntaria o meu
pessoal. Preparei-me para a luta consciente de que,desta vez, eu estaria
francamente na defensiva. [...] Li o jornal de Chateaubriand. Ali se afirmava,
em letras garrafais, que eu não era brasileiro.
Ao ser intimado a depor sobre aquela
acusação em um distrito policial situado na zona de meretrício do Rio, e depois
de ver o pai ser submetido em São Paulo a humilhações em outra delegacia de
polícia, pelas mesmas razões, Samuel sentiu que deixara de contar com o apoio
do Palácio do Catete, que até então nunca lhe faltara. Para agravar ainda mais
sua situação, seu irmão José, tentando tirá-lo daquela enrascada, conseguiu
desenterrar no Ministério do Trabalho um documento que atestava que sua família
havia chegado ao Brasil em 1905 (e não em 1915, como afirmava o papel
descoberto por Nasser) - oito anos, portanto, antes de seu nascimento. Apesar
de aconselhado a guardar a cópia do novo documento para usá-la no momento mais apropriado,
Wainer foi pressionado pela redação a publicá-la e o fez ruidosamente, dando-a como
manchete de Última Hora do dia seguinte: "Chega ao fim a grande
chantagem". Foi uma vitória que só durou 48 horas. Nasser, Lacerda e
Falcão foram até o arquivo do Ministério do Trabalho onde a cópia fora feita, localizaram
o original e, depois de um exame grafológico sumário, comprovaram que o irmão
de Wainer havia rasurado o documento: onde estava escrito 1920 ele escrevera
1905.
O inferno de Wainer, no entanto, ainda
não chegara ao fim. Foi dele a desastrada iniciativa de sugerir au governo que
apoiasse a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito na Câmara
Federal para apurar as relações do Banco do Brasil com a imprensa. O jornalista
imaginava que a maioria governista permitiria que a CPI, controlada por
deputados da situação, investigasse as dívidas que ele suspeitava que também
seus algozes tivessem contraído no Banco do Brasil. O resultado da manobra pode
ser medido por suas próprias palavras:
Foi
meu grande erro. Primeiro eu deveria ter percebido que a maioria governista no Congresso
era fictícia - muitos deputados não hesitaram em atraiçoar o presidente. Segundo,
mesmo parlamentares francamente getulistas não tinham maior simpatia por mim;
faltavam-lhes, portanto, motivos para defender-me. Mais grave ainda, só depois
constatei que, quando propus a formação da CPI, Lacerda estava perdendo fôlego.
Talvez prosseguisse na campanha, movido por seu ódio inesgotável, mas o certo é que começava a faltar-lhe combustível. Lacerda
entendeu imediatamente que a CPI lhe forneceria o palco ideal para o show de
falso moralismo que sempre soube encenar.
Acuado por todos os lados e obrigado a transferir o controle da
Última Hora para Luís Fernando "Baby" Bocaiúva Cunha, um de seus
diretores, Samuel teria sua mais amarga surpresa ao saber que Getúlio dera
ordens ao Banco do Brasil para executar toda a dívida do jornal emoito dias.
Durante toda a crise, os Associados reforçavam as aparições de Lacerda na
televisão com reportagens de Nasser nos jornais do Rio e de São Paulo (refeitas
e publicadas com estardalhaço toda semana em O Cruzeiro) e com artigos diários
de Chateaubriand, que cresciam em virulência a cada dia que se passava e que
batiam insistentemente na mesma tecla: o plano de Samuel Wainer era destruir os
Diários Associados a médio prazo, a mando de Getúlio. Quando o dono da Última Hora
parecia estar fora de combate, ele escreveu um artigo intitulado "Agora, evacuemos
este cadáver", no qual parecia chegar ao paroxismo no ódio a seu
ex-repórter:
O que aí resta é uma carniça. Que o sol e os vermes a comam.
Morto, Samuel Wainer quer envenenar com o seu cadáver o tecido social da nação.
Como? Tentando fazer-se passar por vítima perante as massas. Vamos reduzir o
assunto Última Hora ao que ele é: a liquidação de um trapaceiro bisonho, sem talento para exercer a
sua arte. Ele não merece as proporções
garrafais que insistem em atribuir-lhe alguns jornais. O magnífico Carlos Lacerda
que entre em merecidas férias por seu maravilhoso labor. E o ministro da
Justiça que evacue o cadáver de Wainer.
Assombrado com o que lera em O Jornal,
Otto Lara Resende achou que era preciso tentar amansar Chateaubriand. Amigo de
Wainer, ele era muito respeitado pelo dono dos Associados, com quem mantinha
relações amistosas. Otto procurou-o em seu gabinete no Senado e entrou cuidadosamente
no assunto:
- Doutor
Assis, eu li seu artigo de hoje no jornal e gostaria de fazer algumas
considerações.
Chateaubriand só ouvia, desconfiado. Mesmo sabendo que "quando
entrava numa briga ele não tinha qualquer inibição de ordem moral", Otto
prosseguia, procurando "mexer no ego dele,
que
era enorme, e fazê-lo desistir daquela campanha":
- Doutor
Assis, a águia não pode descer ao galinheiro. O senhor tem tantas causas nobres
para combater e no entanto está descendo muito, está entrando no campo da
mesquinharia. Um general como o senhor não pode usar metralhadora para matar
galinha...
Sentado na sua cadeira de senador, ele cortou a frase do interlocutor
pela metade:
- Seu Otto, essa sua argumentação é tão cretina quanto
o patife que o senhor veio aqui defender. Não toque mais nesse assunto comigo.segunda-feira, 8 de setembro de 2014
*Chatô enquadra os fabricantes das caixas de fósforos!*
O alto tanto podia ser o vidro plano fabricado por um poderoso truste internacional como poderia nascer da singela observação de uma caixa de fósforos. Anos antes, o Diário da Noite de São Paulo dera em sua última edição uma surpreendente manchete: "Fósforos sobem de 20 para 30 centavos!" . O aumento do preço da caixa de fósforos ter merecido a manchete de um jornal coincidia com uma constatação de Chateaubriand: por alguma razão inexplicável, os fabricantes de fósforos anunciavam em quase toda a imprensa, menos nos Associados. Ele, que não fumava, mandou um contínuo ir ao bar mais próximo e comprar um maço contendo dez caixinhas de fósforos. Desembrulhou-o e leu no rótulo de cada caixinha a mesma informação: "Contém 50 palitos". Abriu a primeira caixa, contou e viu que só havia 47 palitos. Contou os da segunda: 38 palitos; da terceira, 40 palitos; da quarta, 45 palitos. Minutos depois concluía que nenhuma das caixas continha os cinquenta palitos anunciados. Chamou um redator do jornal e mandou comprar dez maços — ou seja, cem caixinhas, e logo depois mais dez e ainda mais dez maços. Convocou todo mundo que estivesse disponível na redação para contar os palitos de cada caixa — do dono dos Associados, passando pelo redator-chefe até contínuos e telefonistas, ficaram todos de cabeça baixa sobre as mesas, contando palitos de fósforos e registrando os totais em pedaços de papel. Já era de madrugada quando, ao final da misteriosa estatística, todos se puseram a fazer contas. Só então Chateaubriand anunciou o tortuoso raciocínio que ia por sua cabeça:
Pela nossas contas , são consumidos anualmente em São Paulo 18 bilhões de palitos de fósforos. Se cada caixinha contivesse mesmo os cinquenta palitos que o rótulo anuncia, a indústria estaria vendendo 360 milhões de caixas por ano. Mas como esses larápios colocam, em média, apenas quarenta palitos em cada caixa, na verdade eles vendem pelos mesmos trinta centavos a unidade, 450 milhões de caixas de fósforos por ano. Ou seja: a indústria que se recusa a anuncia nos Associados está roubando o povo paulista em 90 milhões de fósforos todo ano. Multipliquem isso pelos trinta e verão que são 27 milhões de cruzeiros — dinheiro suficiente para montar um jornal, meus amigos!
No dia seguinte o jornal voltava à carga com a denúncia. No outro dia mais uma reportagem (esta dizia que "uma linha formada pelos palitos de subtraídos ao povo daria para fazer quatro vezes a volta da Terra"). A série prosseguiu até que, como no caso dos vidros planos, foi interrompida inesperadamente. Semanas depois começavam a aparecer, também nos associados, anúncios dos fabricantes de fósforos. E daquela madrugada alucinada uma marca ficaria gravada nas caixas de fósforos brasileiras: em vez de “cinquenta palitos", elas passaram a anunciar prudentemente em seus rótulos: “45 palitos".
A leitura atenta do Diário da Noite revelaria história certamente semelhante a essa, mas lendo como alvo outro produto. Ainda em fase de implantação, onde acabava de ser lançada, a Coca Cola não anunciava nos Associados. Até que o Diário da Noite passou a divulgar seguidas reportagens contendo "análises bacteriológicas realizadas por respeitados institutos” cujos resultados "condenavam" o re- frigerante. Bastou aparecer os primeiros anúncios de Co-ca CoIa no Diário da Noite para as tais análises sumirem como que por milagre, dando lugar a reportagens que ressaltavam o fato de aquela ser "uma bebida agradável a todos, porque só empregava o puríssimo açúcar brasileiro". Alguma nova encrenca com o departamento de propaganda da Coca Cola pode ter surgido muitos anos depois: em junho de 1957 o Diário da Noite voltaria a repetir o título e a notícia da “contaminação” do produto ("Condenada pelo Instituto Adolfo Lutz — Nociva à saúde da população a Coca Cola"). De novo, no dia seguinte o jornal não tocava mais no assunto.
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