sábado, 1 de outubro de 2016

"A Vagabunda" (Gabrielle S. Colette)

Pequenos excertos da obra 
"A Vagabunda", 
de Gabrielle S. Colette:

   “Habituamo-nos à não comer, a ter dor de dentes ou de estômago, habitua-mo-nos mesmo à ausência de um ente amado, porém ciú-me não é hábito que se adquira.”
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   “(…) tão somente através da dor, pode uma mulher ultrapas sar a sua mediocri dade, descobrir que é resistente, que tem forças infinitas das quais pode usar e a-busar sem temer a morte, se alguma co-vardia física ou alguma esperança reli-giosa a tiverem desviado do suicídio simplificador."

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   “(…) eis qual foi, logo em seguida, o meu fado, acresci-do, porém, de uma desconfiança selva-gem, de uma aver-são pelo meio em que vivera, de um estúpido medo do homem, dos homens e das mulheres também… Possuía-me uma necessidade doentia de ignorar o que se passava à minha volta, de não ter a meu lado senão esses seres rudimentares, quase impensantes… E esta extravagância ainda, que logo se arraigou em mim, de só me sentir isolada e protegida dos meus semelhantes quando em cena – barreira de fogo que me defende contra todos…”




segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Nosso homem em Havana, Graham Greene


Resultado de imagem para Dizem que a Terra é redonda...      "Homens sensatos velhos
Amigo da família, nos cercam
Dizem que a Terra é redonda...
      Minha loucura ofendem.
As laranjas têm sementes, dizem,   
      E as maçãs cascas.
      Digo que noite é dia
E que não tenho machado para afiar
      Por favor não acreditem
..."

O Nosso Homem em Havana Poster     Quem teve a feli-cidade de ter lido o livro "Nosso homem em Havana", romance do escritor inglês Graham Greene publicado em 1958,  emociona-se com a letra com esta música cantada no dia em que Jim Wormold conhece Beatrice Serven.
     O livro conta a história de Jim Wormold, um inglês que vive em Havana, trabalhando como vendedor de aspiradores de pó. A esposa que fugira com outro homem para Miami, e ele com sérios problemas financeiros para criar a filha, uma bela jovem de dezessete anos, constantemente cortejada pelo capitão de polícia local, famoso pelas torturas que inflige aos rebeldes liderados por Fidel Castro.
   Wormold é recrutado pelo serviço secreto britânico e, vendo aí uma fonte de renda capaz de solucionar seus problemas, passa a inventar situações e pessoas como desculpa para solicitar cada vez mais dinheiro ao governo britânico. Estranhamente, porém, as mentiras começam a se tornar realidade, e o que antes não passava de invenção começa a se concretizar.
Uma boa sugestão de leitura!


domingo, 4 de setembro de 2016

O retrato de Dorian Gray e o mito de fausto

    A narrativa é construida através do conflito gerado pela personagem de Basil Hallward (artista inglês reconhecido), que atinge o que ambiciona todo artista, a criação da sua obra perfeita: o retrato da personagem Dorian Gray.
    A personagem de Dorian Gray, ao ser retratada descobre a fragilidade da sua beleza diante do tempo (por meio da imortalidade da arte), e tenta ir contra a este fato.
     Outra personagem em destaque no livro é a de Lorde Henry Wotton, que vê na beleza pura de Dorian Gray a perfeição de uma alma que deveria ser corrompida, unindo o belo ao cruel. Henry Wotton é o mentor intelectual da desintegração da personagem Dorian Gray.
    O foco central da narrativa é o retrato pintado, pois através dele as personagens conquistam aquilo que desejam.

  O livro "O Retrato de Dorian Gray" foi o único romance escrito por Oscar Wilde (escritor irlandês).
O romance visa criticar os costumes presentes na Inglaterra Vitoriana, que insistia em conservar uma tradição hipócrita e não aceitava as mudanças socioculturais trazidas por um novo tempo.
   A obra, classificada como um romance gótico, é o ícone do decadentismo inglês por abordar de maneira irônica a visão do homem e de sua ambição para alcançar a juventude eterna e a perfeição (por meio da beleza estética). 
    No livro os diálogos têm maior importância que a própria narrativa, pois a ironia e as criticas à sociedade são trabalhadas nos diálogos entre as personagens. O narrador do romance é observador e apenas situa o leitor no tempo e espaço da narrativa.
     Além de criticar o decadentismo inglês, a narrativa está estruturada sobre uma referência intertextual clara ao mito de Fausto, retratado pelo grande autor alemão Göethe. 
     Os críticos e a sociedade da época consideraram o livro "O Retrato de Dorian Gray" amoral, entretanto o romance é hoje um dos maiores marcos da literatura universal.
     O retrato em questão está, obviamente, mais ligado à personagem principal (personagem que dá o título ao livro), a qual oferece sua alma ao Diabo (mito de Fausto) para trocar de posição com o retrato. O pedido é atendido pelo Diabo que faz com que o retrato envelheça no lugar da personagem. O retrato acaba tomando para si as marcas dos registros de toda a obra de vida de Dorian Gray.
     O tempo passa e o fútil Dorian Gray não envelhece, permanece belo como um adolescente, conservando uma face pura e angelical. Entretanto por trás do rosto imperturbável pelo tempo, há uma alma cruel, amoral e assassina, refletida em um quadro, que envelhece e altera a sua face a cada comportamento amoral de seu dono.

 "O Retrato de Dorian Gray"
Oscar Wilde




quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Veja, senhor, aquelas estrelas...

Resultado de imagem para olha senhor o ceu estrelado"Veja, senhor, 
aquelas estrelas. 
Ali estão elas brilhando, por Deus, 
o céu está repleto delas. 
Agora peço-lhe, 
quando se olha para cima 
e se pense que muitas delas 
dizem ser cem vezes  

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maiores que o mundo, 
como é que a 
gente se sente? 
Nós, homens, 
inventamos o telégrafo
 e o telefone e tantas 
outras aquisições 
da era moderna, 
sim, isto fizemos. 
Mas quando olhamos para cima 
é preciso reconhecer 
e compreender que, no fundo, 
somos uns vermes, vermes miseráveis e nada mais. Respondeu a si mesmo 
e acenou com a cabeça, humilde e abatido 
para o firmamento."

Tonio Kroger. Thomas Mann. 1ª Edição, 1971



terça-feira, 30 de agosto de 2016

Ditadura militar: general Mourão Filho tenta assaltar a Petrobrás, mas é desarmado por um civil desarmado!

    O jornalista Elio Gaspari examina na sua obra "Ditadura Envergonhada" narra que nos primeiros dia do golpe militar, o general Olympio Mourão Filho, o detonador da quartelada militar, queria ser bem aquinhoado na di-visão do "espólio" do poder no novo regime e foi tomar satisfações com o novo ministro Costa e Silva que, habilmente, o driblou com um papo fiado e o sugeriu que as-sumisse a presidência da rica Petrobrás em nome do comando revolucionário e Mourão engoliu a isca.
   Espalhafatoso e sequioso de uma rentável prebenda, o general Olympio Mourão Filho rumou para a sede da Petrobrás, fardado e com uma escolta. Nesta segunda investida em busca de poder, mais uma vez mais dava om os burros n'água. Desta feita foi driblado por um tal, Dr. Belo, secretário-geral da empresa, que engenhosamente refutou o assalto. Paciente explicou ao general, que por mais que o ministro Costa e Silva desejasse vê-lo no comando da Petrobrás, só um ato do presidente da República poderia investi-lo na função e ainda era indispensável "um recibo de caução de ações da empresa, visto que só um acionista poderia exercer a sua presidência". Mourão lembrou o Dr. Belo que estava ali em nome da Revolução. Matreiro, o humilde Dr. Belo convenceu o general que eram documentos fáceis de serem providenciados.Dançou! Acordou quando o Marechal Ademar de Queirós, com os papéis em ordem, assumira a presidência da Petrobrás.

Resultado de imagem para uma escolta armada 1964   Fardado, o general Olympio Mourão Filho che-gou com uma escolta à pra-ça Pio X, sede da Pe-trobrás. Era o símbolo do novo regime e ia assumir a presidência da empresa. Foi recebido pelo secre tário-geral, Amaro Alonsi Belo, o Dr. Belo.
     O veterano petroleiro explicou ao general que por mais que o ministro Costa e Silva desejasse vê-lo no comando da Petrobrás, só um ato do presidente da República poderia investi-lo na função. Feito isso, precisaria trazer uma carteira de identidade (provando que era brasileiro nato) e um recibo de caução de ações da empresa, visto que só um acionista poderia exercer a sua presidência. Mourão explicou que estava ali em nome da Revolução. O Dr. Belo concordou, insistindo em que os documentos eram indispensáveis, por de-terminação do estatuto da Petrobrás. Ademais, eram documentos fáceis de ser providenciados. Coisa de um dia, no máximo. O general aceitou a ponderação do veterano burocrata, deu uma entrevista anunciando seu programa de ação na empresa e voltou para Juiz de Fora.  Quando se deu conta, o marechal Ademar de Queiroz, com os papéis em ordem, assumira a presidência da Petrobrás.
   No dia 11 de abril, depois de um conciliábulo de governadores e generais destinado a evitar a coroação de Costa e Silva, o ge-neral Humberto de Alencar Cas tello Branco foi eleito presidente da República pelo Congresso Nacional, como mandava a Cons tituição. Prometeu “entregar, ao iniciar-se o ano de 1966, ao meu sucessor legitimamente eleito pelo povo em eleições livres, uma nação coesa”. Em 1967 entregou uma nação dividida a um sucessor eleito por 295 pessoas.

  FONTE: esta obra trata-se do primeiro livro da cole-ção e primeiro volume da série As Ilusões Armadas.


O racismo de Chatô :missa rezada por padre preto traz uma urucubaca sem tamanho.

     Francisco de Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, mais conhecido por Chatô fez histórias pelos empreendimentos e pelas suas idiossincrasias que o tornaram um sujeito excêntrico e voluntarioso pelo o seu poder pessoal. Fernando Morais no seu clássico " Chatô: O Rei do Brasil" mostra várias passagens de sua vida atribulada narra em abundância este lado da per-sonalidade do seu herói.
     Era o tempo em que o execrável racismo era aceito pela sociedade e atitudes como esta que narra o trecho abaixo ilustra bem o preconceito social exacerbado
     Vamos ao texto cômico, piada sem lugar nos dias de hoje.

   "Ainda em 1938 ele organizou raid de aparelhos do Rio até a cidade de Campos, no interior do estado. Com vários repórteres cobrindo os preparativos, en-trevistando pilotos, e mais uma equipe recebendo a esquadrilha na cidade fluminense, a viagem renderia páginas e páginas nos jornais e revistas Associados. O sucesso da iniciativa o animaria a repeti-la mais duas vezes, e sempre com um número cada vez maior aviões envolvidos: na segunda, viajaram até a usina de açúcar Tamoio, na cidade paulista de Araraquara, e na terceira foi-se ainda mais longe, a Guatapará, também no interior paulista. Assim como havia repórteres es-pecializados em economia, em política, em esportes, os Associados passa-ram a ter um seto rista de aviação, escolhido pesso-almente pelo do-no: o jovem cea-rense Edmar Mo-rel, que ganhara fama meses antes com uma série de reportagens na Amazônia sobre o coronel inglês Percy Fawcett, desaparecido misteriosamente quando investi-gava a existência da tal civilização branca que a selva brasileira esconderia assunto que havia sido levantado em 1924 por O Jornal."
   "A aventura se-guinte seria mais arriscada: Chatô planejava organi-zar uma expedi-ção aérea de nada menos que ses-senta aviões do Rio e Porto Seguro, na Bahia, para ali festejarem o aniversário do descobrimento do Brasil. Estaria tudo muito bem se não fosse por um problema: Porto Seguro não tinha aeroporto. Acionado pelo jornalista, Getúlio entusiasmou-se com a viagem, e sessenta dias depois o aeroporto pronto. Com uma escala para reabastecimento em Vitória e outra em Caravelas, no litoral baiano, os aviões por fim desceram em Porto Seguro. A modesta prefeitura local teve de mandar fazer às pressas trinta privadas públicas e arranjar 140 camas com o Exército para acomodar os pilotos, radiotelegrafistas e os mecânicos. Logo que os aparelhos pousaram, o vigário da cidade, um negro anunciou que havia preparado uma surpresa para Chateaubriand e os mais de cem pilotos e acompa-nhantes que tinham feito parte do raid: iria oficiar uma missa no mesmo local em que frei Hen-rique de Coimbra havia rezado a primeira missa Brasileira, em maio de 1500. Ao ouvir aquilo, Chateaubriand chamou, Edmar Morel a um canto:
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- Seu Morel, de-mita esse preto da mi-nha festa. Um preto rezar a nossa missa? De modo algum! Dê um jeito de chamar com urgência o bispo de Ilhéus, que é ariano. Em missa de branco eu atuo até como co-roinha, Seu Morel, mas missa rezada por padre preto vai nos trazer uma urucubaca sem tamanho."